terça-feira, 3 de abril de 2012

Barça, Milan e a arbitragem


Quartas de final da UEFA Champions League, principal torneio de clubes do mundo. De um lado, o favorito Barcelona - atual campeão e melhor time de futebol do planeta. Do outro, o não menos importante Milan, segundo maior campeão do velho continente, com sete títulos.

De ambos os lados craques que defendem as principais seleções. No Barcelona, além da base da seleção espanhola, campeã do mundo em 2010, o melhor jogador da atualidade, o argentino Lionel Messi. No time italiano, jogadores consagrados e também campeões por onde passaram, casos de Ibrahimovic, Robinho, Seedorf e Nesta.

Pelo momento vivido pelo Barça, seguramente desde a chega de Pep Guardiola há quatro temporadas, pelos resultados e graças ao futebol apresentado, nove entre dez pessoas apostavam em uma vitória da equipe da Catalunha. Particularmente, eu acreditava em um jogo dominado pelo Barça, mas com o Milan, em contra-golpes, mostrando perigo e podendo marcar gols.

Vale lembrar que na primeira partida, em Milão, a esquadra rossonera segurou o Barcelona e o confronto terminou 0x0. Ou seja, na Espanha, empate com gols classificaria o Milan - por este ser o primeiro critério de desempate, gols marcados fora de casa.

Mas entre os dois adversários de hoje estava o árbitro da partida, o holandês, Bjorn Kuipers. O que já era difícil para o Milan, visto que o Braça já dominava o jogo com menos de dez minutos, ficou ainda pior após dois pênaltis discutíveis marcados para o Barcelona. Messi não desperdiçou as cobranças.

Na bola, ou melhor, sem contar os pênaltis, a partida teve um gol para cada lado: Nocerino para os italianos e Iniesta para os catalães.

Não acredito que tenha havido qualquer influência do Barcelona - compra de juiz, ou qualquer acerto por fora - para a arbitragem ruim e discutível. O que é de se lamentar é que um jogo tão importante como este - e tantos outros, mesmo os menos importantes -, assistido por milhões de pessoas em todo o planeta tenha um desfecho definido pelo apito de um homem, e não pelos jogadores das duas equipes, no caso, alguns dos maiores craques do futebol atual.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Valeu!

Acredito que a maioria das coisas na vida gire em torno de ciclos. Mesmo a própria vida é um ciclo. Estamos aqui na Terra por tantos anos, e depois não estamos mais. Simples assim.

Pessoas com quem estamos, pessoas que vemos, que saímos, que namoramos, que discutimos, que brigamos, que encontramos, que cumprimentamos, que mantemos uma amizade, que trabalhamos junto, enfim, entendo que muitas dessas relações sejam baseadas e aconteçam por períodos. Pois, mesmo querendo estar próximo, dificilmente estaremos perto de todos e, com toda a certeza, aquilo que passou, já passou.

Neste último ano, 2011, aprendi muita coisa, em relação a centenas de coisas. Tanto na parte de relacionamento com as pessoas, quanto na parte profissional.

Entre tantas coisas, tive a oportunidade de trabalhar no segundo maior canal de televisão do Brasil, o SBT!

Acho que quando a gente passa por um lugar, e trabalha lá, ou vive lá, ou fica lá, ou faz alguma coisa lá - que entre em contato com pessoas, coisas vivas e tudo -, a gente acaba deixando um pouco do que nós somos e levando outras coisas também. Lições, de certa forma.

É mais um ciclo que termina. Não é o fim, com toda a certeza.

Mas como disse, são ciclos, e amanhã posso voltar ao SBT, ou estar em outro lugar, mas com certeza vivendo um outro ciclo.

Mas é isso. Saio com sentimento de dever cumprido.

E, na verdade, muito do mais do que ficar escrevendo um monte de coisas e pensamentos, gostaria de usar essa mensagem para agradecer todo mundo com que trabalhei, - direta ou indiretamente -, colegas, chefes e “estagiários”.

Saio aprendendo muito mais do que eu sabia sobre o jornalismo, sobre os jornalistas e o que é uma redação. E espero ter ajudado à todos da melhor forma possível e ter contribuído para melhorar alguma coisa no que foi possível .

É isso, muito obrigado à todo e nos vemos!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Santos 0x4 Barcelona

Termina a final do Mundial de Clubes e, além dos quatro gols do Barcelona, alguns pontos revelam por que o Santos perdeu de forma tão natural e fácil.

Primeiro, mas não definidor, o Barça é atualmente o melhor time do mundo e marca época - como fizeram o Santos de Pelé e o Real Madrid de Di Stéfano, por exemplo. Porém, como qualquer equipe de futebol, o time catalão não é imbatível.

Talvez por acreditar que pudesse encarar o Barça, o Santos não entrou para jogar com a vontade e a atenção necessárias. Em 2005 e em 2006, São Paulo e Internacional jogaram pior que seus adversários europeus na final do Mundial, mas, querendo vencer e jogando por uma bola, buscaram o título!

Terceiro ponto, Muricy Ramalho errou. O Barcelona é um time recheado de craques, mas um jogador em especial é gênio - ou quase isso. Messi não sofreu marcação individual durante a partida e contra a pesada e mediana zaga do Santos teve liberdade para tabelar, dar passes e marcar gols. Se Muricy tivesse acertado na escalação e no posicionamento do time, a tarefa já seria difícil. Errando, então, decidiu o campeonato para o time da Catalunha.

O zagueiro Durval fez uma partida ridícula e falhou nos dois gols iniciais do Barça, o que definiu o confronto nos primeiros 25 minutos.

P. H. Ganso fez uma partida digna de um gênio veterano - ou seja, não fez nada. Lembrou Rivaldo e o ex-craque santista Giovanni em seus último momentos no futebol. Mas com um problema, Ganso tem 22 anos e mostrou a mesma bola que jogadores que estão chegando nos 40. Com o perdão do trocadilho, Paulo Henrique tem talento, mas está lento. Não é jogador para dar três toques de calcanhar por jogo e só, tem que acordar pois tem potencial para ser um dos grandes camisas 10 do futebol mundial.

Neymar. A Jóia da Vila é muito boa e decide tudo por aqui. Com a partida ainda 0x0 teve duas arrancadas para pensar em uma investida ofensiva para o Santos, mas nas duas vezes tentou atravessar os marcadores do Barça como se jogasse contra os defensores do Santo André, do Figueirense, do Naviraiense ou da Ponte Preta e, claro, não deu em nada. Qualquer comparação com Messi, ainda, é um total exagero.

Outra questão do jogo esteve na postura não ofensiva do Santos. O time que não sabe defender nem dentro do futebol brasileiro, foi contra sua vocação e tentou se defender diante de um dos times mais atacantes e eficientes do futebol mundial. Se tivesse atacado seria difícil, mas defendendo - errado, como foi - e sem a vontade necessária, não houve como vencer.

Da parte do Barcelona fica o exemplo, para o Brasil e para o mundo, de como se jogar e gerenciar o futebol. Ofensivo e criativo desde as categorias de base, o Barça marca uma era. Estamos vendo o Barcelona de Messi!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Acredite, um dos melhores que eu vi!


Ainda em tempo, volto ao blog com o ânimo de quem tem muitas ideias e deseja escrever.

Dezenas poderiam ser os temas desse post (de retorno), mas, na sequencia, escreverei sobre Dejan Petkovic.

Por quê?

Simplesmente porque esse futebolista de quase 40 anos de vida, que retirou-se profissionalmente dos gramados a menos de um mês, foi um dos melhores jogadores que eu vi. Acredite, no estádio, Petkovic foi um dos melhores que pude ver!

Comecei a guardar na memória quem era Dejan Petkovic em 2001, na final do Carioca. Como bom paulistano, nunca acompanhei direito o Campeonato Carioca, mas me lembro como aquele golaço de Pet - tantas vezes repetido, até hoje - contra o Vasco, me marcou. Aos 43 minutos do segundo tempo, em um Maracanã lotado. Bola no ângulo e a taça, que já estava na mão do grande rival, foi para as mãos do Rubro-negro.

Aquela perfeição, a curva da bola sobre a barreira e o gol! No ângulo! Golaço!

Os braços abertos de Petkovic, a euforia, a festa da torcida e dos jogadores flamenguistas - que nada mais foram do que espectadores privilegiados por poderem estar dentro de campo em um momento como esse. Se Dejan Petkovic só tivesse feito isso em sua carreira, já mereceria um lugar no hall dos grandes futebolistas da história.

Mas o sérvio, nascido ainda na antiga Iugoslávia, foi muito além.

O que me parece mais incrível na história de Petkovic é o fato dele ser europeu e ter vindo jogar aqui no Brasil. Outro dia vi uma entrevista dele no Sportv, onde disse que ao fazer seus primeiros jogos pelo Vitória da Bahia, pensou: “sai do Real Madrid e vim parar aqui?”.

Exatamente, como um cara saído da Iugoslávia, passa por Real Madrid - um dos maiores clubes do mundo - e vem parar no Brasil - e mais, após ficar um tempo gosta, vai para o Flamengo e vira ídolo de um dos maiores clubes do país, e segue no futebol verde-amarelo - ? Realmente não entendo, ainda mais em um mundo do futebol onde só se faz o caminho inverso - da América do Sul para a Europa.

A saga de Petkovic no futebol é quase utópica.

Depois da magnífica passagem pela Gávea no inicio dos anos 2000, Pet passou por outros clubes nacionais, como Fluminense, Vasco da Gama, Santos, Goiás e Atlético-MG.

Sempre sabendo o que fazia com a bola, capitão, líder em assistências e cobrando faltas com perfeição.

Quando pareceu estar acabado - não de forma negativa, mas apenas pela idade -, Pet ressuscitou duas vezes no futebol!

O retorno ao Flamengo em 2009 foi coroado com o título brasileiro. O experiente jogador foi fundamental. Junto com Adriano, o Imperador, Pet carregou um time mediano ao hexacampeonato nacional. Palmeiras e São Paulo vacilaram naquele ano, mas sem a visão de jogo de Petkovic provavelmente o resultado do campeonato seria outro.

A segunda volta do sérvio foi esse ano, 2011, ao realizar sua despedida do futebol em uma partida oficial válida pelo Brasileirão 2011.

É incomum - para não dizer utópico mais uma vez -, um jogador retornar após quase um ano parado e se despedir em um jogo oficial. Mais que isso, jogando bem, mostrando que ainda, apesar dos 38 anos, conseguiria ser melhor do que a maioria dos futebolistas em atividade. Nos 45 últimos minutos que teve, em um Flamengo x Corinthians, Petkovic arrebentou!

Homenageado, Pet se despede dos gramados e vai direto para a história.

domingo, 18 de julho de 2010

12:21

O tempo não tem explicação, é efêmero e eterno, simples assim. Noção de tempo não existe, primeiro, pelo simples fato de que uma pessoa nunca saberá como a outra sente o passar do tempo, e, também, porque o tempo passa, de fato, de forma diferente para cada um de nós.

Certa vez alguém escreveu que uma noite pode ser muito longa, e que, por outro lado, uma vida pode ser curta. Aí existe uma contradição clara, no entanto, uma contradição seguramente coerente. Quantas vezes a gente não olha para o relógio e torce para ter – mesmo longe de realmente ter qualquer posse sobre o tempo – alguns minutos a mais. Mas, parafraseando outro poeta: o tempo não para.

O planeta está aqui desde sempre, ou melhor, desde muito antes de nós, aqui aparecermos e, hoje, sermos o que somos.

Depois da formação do planeta e de toda a evolução, - tempo esse inexplicável e quase incompreensível - até os dias de hoje, os humanos finalmente se estabeleceram, venceram como raça soberana em relação aos outros animais, e passaram, a partir desse domínio, a se desenvolver no planeta, extraindo tudo o que fosse necessário para suas vidas e civilizações. Contudo, ao passar do tempo, grupos de pessoas criaram vilas, aldeias e cidades, formas de governos, ideologias, lideranças, ídolos, Deuses, religiões, guerras, morte, a dor e a culpa.

Atualmente, nosso grupo que, mesmo se sentindo dono do planeta, está aqui a pouco tempo – principalmente se pensarmos em relação aos bilhões de anos que tem a Terra -, utiliza todas as maravilhas naturais da forma como quer, escraviza outras pessoas e animais – em uma industria de morte -, extrai de forma desordenada e inconsequente os bens da terra – petróleo e água, por exemplo. Enfim, claramente estamos tentando acabar com toda uma evolução decorrente de muito antes de nossa raça. Cidades superpopulosas, toneladas de lixo, queimadas, guerras, entre outras coisas, estão destruindo o planeta que por sua vez, como pensam alguns, já está tomando attitudes contra nossa falta de consciência – por meio de terremotos, vulcões e tsunamis. Se os eventos climáticos são mesmo um aviso do planeta, nós seguimos dando de ombros e não dando atenção. A exploração desenfreada continua, e continuará, pois os interesse pessoais muitas vezes comandam o pensamento das massas.

Voltando ao tempo, fato é que ele não parou desde o início desse texto, aliás já estava correndo desde antes disso, e muito antes. Não importa quem esteja nascendo, ou quem quer que morra – até mesmo o nosso planeta, que provavelmente um dia deixará de existir – a certeza é: o tempo segue, não para, e continua.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Não, meu amigo, o Uruguai não ganhou nos pênaltis

Caminhando de volta para casa, pouco depois de assistir o confronto entre Uruguai e Gana pela Copa do Mundo, escutei, de passagem, uma rápida descrição que um homem fez para outro sobre a partida válida pelas quartas-de-final. De forma simples ele definiu o jogo com as palavras: “O Uruguai ganhou nos pênaltis”.

No exato instante em que ouvi o comentário discordei completamente. Os minutos finais da partida não foram comuns, foram muito mais que um simples “o Uruguai ganhou nos pênaltis“. Fora toda a tensão que já é uma prorrogação em Copa, teve quase gol contra, bola tirada em cima da linha, defesas difíceis, cabeçadas passando rente a trave, enfim, várias coisas que fizeram do final de partida algo fora do comum.

Sem duvida, o melhor lance foi o último, e seus conseqüentes desdobramentos. Gana atacava mais e melhor, queria o gol. Bola metida na área, bate-rebate, cabeçada, tentativa de soco, chute, ponta-pé, bola tirada sobre a linha uma vez, cabeçada de novo e na hora do gol da classificação de Gana para uma inédita semifinal de Copa do Mundo, Luisito Suárez fez a, indiscutível, mais importante defesa do ano de 2010.

Abro um parênteses. Provavelmente, lendo, alguém poderá dizer: o Uruguai não só ganhou nos pênaltis - concordando com a pessoa que fez o comentário inicial do texto -, como ainda venceu sem méritos, pois um jogador de linha evitou com as mãos um gol adversário, o gol que fatalmente eliminaria a Celeste - ou seja usou de anti-jogo, de anti-desportividade, de anti-futebol, para tirar vantagem.

Mais uma vez discordo. Nada impede que Suárez faça o que fez para evitar o gol adversário. Ao colocar a mão na bola, e fazer a mais importante defesa da Copa evitando o gol que eliminaria a sua seleção, Suárez sabia o que esta fazendo. Tentou salvar o Uruguai e sabia que seria expulso.

Salvou o Uruguai e foi expulso.

Cartão vermelho indiscutível. O atacante Suárez, artilheiro do time, trocou a sua possível participação numa semifinal de Copa do Mundo - que obviamente, caso a bola entrasse no gol não se concretizaria, faltando quiçá um minuto para o termino do jogo -, pela chance improvável de, o Uruguai, mesmo com um pênalti contra no ultimo lance da prorrogação, ter a chance de disputar a semifinal da Copa e mais uma vez - depois de mais de meio século - sonhar em ser campeão do mundo.

Aí entra outro fator, que ajuda e atrapalha quem gosta, joga e vive o futebol: a sorte (ou azar). Pênalti para Gana, o Uruguai estava fora da Copa. Muslera, o goleiro da Celeste Olímpica teria de fazer um milagre de verdade, ainda maior do que o já feito por Luís Suárez. Ou Muslera, ou a trave, teriam de parar a bola. Pancada de Gyan, o tiro explodiu no travessão...

Suarez expulso, triste e chorando por ter feito o que deveria fazer, mas sabendo que a chance de sua seleção no Mundial era mínima, vibrou mais do que com qualquer um de seus gols anotados durante Copa.

Fim dos 120 minutos. Agora sim teríamos os pênaltis. Contudo, Gana já estava derrotada. Ainda houve tempo para Muslera defender dois pênaltis, mal batidos por Gana, e para Sebastian “El Loco” Abreu converter a ultima penalidade, de forma que só seu apelido explica, e colocar a Celeste Olímpica em mais uma semifinal em sua rica história no futebol.

O sonho uruguaio - é claro - é ser campeão. Mas na verdade pouco importa, ou importará, o resultado do jogo semifinal diante da Holanda. O Uruguai já provou para o futebol que renasceu.

domingo, 16 de maio de 2010

O campeão voltou


Desde que o alemão Michael Schumacher, heptacampeão mundial de Formula 1, anunciou seu retorno as pistas, foi gerada uma expectativa sobre como um dos melhores pilotos da história se comportaria dentro do cockpit após 3 temporadas parado, com 41 anos de idade nas costas e contra uma safra de pilotos jovens, campeões e muito bons.

Vale lembrar que antes de assinar o contrato com a Mercedes, o alemão foi cogitado para assumir o posto do acidentado Felipe Massa na Ferrari, no meio da ultima temporada. Entretanto, Schumacher - que apesar de aposentado ainda fazia parte da Scuderia Ferrari - também não estava apto para voltar as pistas de F1, pois apresentava uma lesão no ombro, fruto de uma queda de moto.

Assim, após o quase retorno no meio de 2009, a expectativa da volta de Schumi tomou conta do tema Formula 1. No final do ano passado o heptacampeão rompeu ligações com a equipe italiana e foi anunciado como piloto da nova Mercedes (ex-Brawn GP), onde trabalharia com o inglês Ross Brawn, velho conhecido dos tempos de Ferrari.

Contudo, após seis corridas boas, mas sem brilho - o que é pouco para Michael Schumacher -, em uma única manobra, Schumacher mostrou porque é - foi e continua sendo mesmo depois de ter sido (parafraseando Armando Nogueira sobre Pelé) - um dos maiores e mais geniais de todos os tempos com o volante.

Na ultima curva do GP de Mônaco - a pista mais apertada da categoria, onde qualquer erro mínimo corresponde a uma batida no guard-rail -, em uma fração de segundo o alemão foi perspicaz e inteligente, aproveitou a saída do safety-car e a bandeira verde para colocar seu carro num espaço mínimo e assim, numa demonstração de arrojo e habilidade, deixar para trás Fernando Alonso e conquistar a quinta posição.

No entanto a manobra de Schumi foi considerada ilegal pela direção de prova. Resultado: depois da corrida Alonso recuperou a quinta colocação, perdida na pista, e o alemão, punido severamente, ficou fora da zona de pontuação.

Certo ou errado, bandido ou mocinho, Schumacher sempre foi assim. Um gênio.

O bicampeão Alonso, que é um dos melhores dos últimos tempos, não sabe nem como, nem por onde foi ultrapassado. Mas com toda certeza, sabe muito bem quando e por quem: na última curva de Mônaco, pelo heptacampeão Michael Schumacher.

domingo, 25 de abril de 2010

Paulistão 2010


Saldo do Campeonato Paulista 2010: Santos incontestável campeão; grandes e empolgantes confrontos nos clássicos; boas surpresas do interior, casos de Santo André, Grêmio Prudente e Botafogo de Ribeirão Preto; e a certeza de que o número de participantes e a fórmula do certame devem ser revistos.

No início do campeonato, bastava uma rápida olhada na tabela e ficava evidente o número de jogos chatos, e conseqüentemente sem público, que teríamos ao longo dos 4 meses de disputa. A não ser por alguma eventualidade - como um jogo de estréia; o confronto contra um dos 4 grandes; ou o fato, raro, de alguma equipe do interior fazer uma boa campanha, caso do Botafogo-SP esse ano -, quase ninguém perde tempo para assistir aos jogos que envolvem Rio Claro, Ituano, Oeste, Mogi Mirim, Monte Azul, Mirassol, Sertãozinho, só para citar alguns exemplos. Ou seja, é evidente que a formula do Paulistão esta errada, inchado de clubes pequenos o campeonato se tornou desgastante para os grandes - que pensam em Libertadores e Copa do Brasil -, e cansativo para quem acompanha - tanto o torcedor de time pequeno, médio ou grande. No mínimo a fórmula de disputa deveria ser revista pela Federação Paulista.

O futebol do interior do estado não é o mesmo que já foi um dia. Ponte-Preta, Novorizontino, Ferroviária, Inter de Limeira, São Caetano - entre outras equipes -, cada uma em seu tempo, já fizeram bonito dentro do certame, mas é evidente que alguns dos clubes que atualmente disputam o Paulista, não tem condições de disputar um campeonato contra Santos, São Paulo, Corinthians e Palmeiras. Mesmo assim, e, talvez, especialmente por isso - pela fraqueza de alguns dos outros times do interior - são louváveis as campanhas de Sto. André, Prudente e Botafogo. Com folha salarial muito mais baixas que, por exemplo, o Palmeiras, essas equipes montaram bons times e fizeram frente aos grandes.

Já sobre os clássicos, é inegável que nesse primeiro semestre tivemos ótimos confrontos entre os principais times do estado de São Paulo. Vale lembrar alguns desses jogos: a vitória do Corinthians sobre seu principal rival, o Palmeiras, depois de uma longa seca, por 1x0; o confronto pegado e com muita discussão pós-jogo entre Santos e Corinthians; a virada na raça do Palmeiras, mesmo em crise, diante do badalado Santos na Vila; e o segundo tempo sensacional do São Paulo contra o Santos no primeiro jogo da semifinal. É impossível, também, esquecer a boa Portuguesa - aliás, jogos dos quatro grandes contra a Lusa é clássico ou não? -, que não perdeu para ninguém e foi um dos responsáveis, com a vitória por 3x1 no Morumbi, a ajudar o São Paulo F.C. a atingir uma marca histórica dentro do Paulistão - a façanha tricolor de não marcar nenhum ponto contra seus grandes rivais.

Por fim, vale ressaltar o bonito, bom, e de resultado, futebol dos meninos da Vila. De maneira incontestável - ainda mais depois da vitória deste domingo no primeiro jogo das finais, diante do Sto André - o Santos será campeão Paulista em 2010. Sob o comando do técnico Dorival Junior, Robinho, Neymar e P.H. Ganso estão jogando o fino da bola. Sem o falso “puxa-saquismo”, constante em boa parte da imprensa de São Paulo, o Santos foi o melhor time do primeiro semestre e por isso irá levantar a taça de campeão.

domingo, 11 de abril de 2010

O futebol é mesmo injusto


Embora para a maioria das pessoas o Santos fosse franco favorito diante do São Paulo, no jogo da semifinal deste sábado pelo Campeonato Paulista, eu - pessoalmente - acredito que os clássicos, exatamente por se tratarem de clássicos - e mexerem com um vasto histórico de rivalidade, camisas de peso e grandes jogadores -, não tenham favoritos. Parafraseando o brilhante filósofo da bola Jardel: “clássico é clássico, e vice-versa”.

Bastou rolar a bola no Morumbi e o que se viu foi um total equilíbrio nos minutos iniciais de jogo, com um leve domínio tricolor. Contudo, para acabar com a igualdade no confronto, o são-paulino Junior Cesar, ao tentar afastar uma bola dentro da área, foi infeliz e mandou a redonda contra o próprio patrimônio, abrindo o placar para o Santos. Aí, finalmente um dos tão badalados meninos da vila começou a jogar a bola, exatamente de quem se espera mais, o habilidoso Robinho.

O menino da geração 2002 abriu seu repertório de dribles e fez um grande clássico (mandando inclusive bola no travessão), muito superior aos meninos da nova geração PH Ganso e Neymar. Ainda no primeiro tempo, com o São Paulo morto, André aproveitou jogada de Neymar - que contou com muita sorte no lance - e dentro da pequena área fez 2x0 para o peixe.

Assim como no clássico contra o Palmeiras, na Vila Belmiro, o pensamento geral foi: “o Santos vai golear outra vez”. No entanto, também, exatamente como contra o Palmeiras o Santos foi surpreendido.

Para o segundo tempo no Morumbi, Ricardo Gomes promoveu uma alteração - saiu Washington e entrou Cicinho - para tentar suprir a falta de um jogador, causada pela infantil e estúpida expulsão de Marlos poucos minutos antes do segundo gol do peixe. Mesmo com 2x0 contra no placar e dez homens em campo foi o São Paulo que partiu para cima do rival. Logo no começo Hernanes, como sempre, chamou o jogo para si e marcou um gol de extrema precisão, feito que deu novo ânimo ao tricolor.

Dagoberto, bom nome do São Paulo que alterna partidas muito boas com jogos onde apenas tenta cavar faltas e reclamar com o juiz, também resolveu entrar no confronto, em alguns minutos o tricolor já empolgava. Com um a menos o São Paulo fez o Santos recuar, até o próprio Dagoberto, jogando com muita raça - principalmente depois de receber uma cotovelada na boca, de Paulo Henrique Ganso -, empatar de cabeça.

O empate era justo e merecido, o São Paulo fazia, e fez, seu melhor jogo no ano. No entanto o futebol não é justo. O Santos não dava show, Neymar só havia feito uma boa jogada em toda a partida e Ganso quase nada. Em um cruzamento, no finalzinho da partida, que poderia ter sido cortado por Rogério Ceni o São Paulo vacilou e o santista Durval cabeceou, de rosto, para as redes tricolores. Santos 3x2 São Paulo, “clássico é clássico, e vice-versa”

terça-feira, 6 de abril de 2010

Lionel Messi


Há tempos que eu não parava para assistir uma partida do Barcelona - na verdade nem lembro quando foi a última, acho que foi na final do Mundial de Clubes contra o Estudiantes- ARG -, mesmo sabendo que se trata de uma equipe que quase sempre vence seus jogos (muitas vezes por goleada), por algum motivo não me empolgava em parar para ver os jogos de Messi e companhia. Na verdade a culpa não é do Barça, mas sim dos seus fraquissimos adversários, não consigo parar pra ver Barcelona x Albacete; Barcelona x Málaga; Barcelona x Reacreativo Huelva; pois, talvez por um preconceito besta em relação a algumas praças do futebol europeu, sinto o futebol espanhol como um campeonato de dois times, mais ou menos como um Gauchão. Sempre ganha o Barcelona ou o Real Madrid, vez por outra um Atlético de Madrid, ou ainda um Valencia, levanta a taça (que, guardadas as devidas proporções, são espécies de Juventude e Caxias para a relação da dupla Gre-Nal no Campeonato Gaucho).

No entanto, hoje lembrei que teria o jogo de quartas-de-final da Champions League, Barcelona x Arsenal, e pensei: “Tenho que ver o Messi jogar”. Sem sombra de duvida o baixinho, que - de maneira nada fácil para ele, Messi - é constantemente comparado a Diego Maradona, esta jogando indiscutivelmente o melhor e mais bonito futebol do planeta.

Contra o Arsenal era de se esperar um jogo mais difícil, pois se trata de um time inglês, não de um Albacete, ou um Almeria da vida. Se trata de um dos três times que briga pelo titulo nacional mais disputado, e de maiores investimentos, do mundo, o Campeonato Inglês. Bendtner até surpreendeu ao marcar o gol do Arsenal rapidamente, mas o time inglês não era páreo para o Barça, e mais que isso, não era obstáculo nenhum para o futebol de Lionel Messi.

Em apenas um tempo, numa atuação clássica de Maradona - Puskas, Pelé ou Cruyff -, Messi acabou com um dos melhores times do mundo. Goleou sozinho, e ponto! Três gols no primeiro tempo, um no segundo - sendo pelo menos dois desses verdadeiros golaços.

Messi não é normal, nem nunca foi - obvio! Messi não é Maradona, e nem Pelé, e talvez nem jogue toda essa bola na Copa do Mundo, mas já figura entre os maiores futebolistas de todos os tempos. Atualmente é o melhor jogador de futebol do planeta, “Gracias Messi!”.

terça-feira, 30 de março de 2010

Aquele menino

Sempre foi um menino.

Quando eu o conheci, no auge dos seus oitenta anos, ele já era um menino.
Um menino que corria, saía, não se deixava prender,
nunca.

Era um menino que - sem se dar conta - corria como tal, cantarolava, vibrava.
Sempre viveu como um menino.

Mas certo dia o menino começou a ficar ainda mais menino, e mais, e mais...
e mais.

A força e a beleza dos lindos olhos azuis, os terninhos de menino, o boné,
os anos 20, os anos 30 - os 40, e os 50 -, vão voltar para o menino.

Que agora, mais uma vez, será um homem,
e para sempre um menino.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Carnaval carioca

Segunda-feira de manhã mais um dia normal de trabalho no quente Rio de Janeiro, Seu Alaor Teixeira desperta as 6 e 20 da manhã, e ainda profundamente abalado com o péssimo resultado de seu time no clássico diante do Vasco, históricos 6x0 sofridos dentro do Engenhão, ruma a passos largos para o ponto de ônibus.

O baixinho, gordinho e careca, cidadão carioca, tenta passar despercebido pela banca de jornais do Carlinhos, vascaino doente que nas primeiras horas do dia, enquanto arruma sua banca com os jornais recém chegados da gráfica, já ostenta sua surrada camisa de Roberto Dinâmite – vide que a banca de jornais está a menos de 30 passos da religiosa parada do ônibus de Alaor. “Ô Alaor, ô Alaor!”, dois gritos e nada do botafoguense olhar. Mais dois gritos e aí sim uma rapida olhada de canto de olho. “Hahaha! 6x0 foi f… mermão!”, disse o jornaleiro em bom “carioquês”.

Durante todo o percurso do lotado coletivo rumo ao centro da cidade Seu Alaor lembrava e, ao mesmo tempo, tentava esquecer sua trágica jornada esportiva do domingo. A cada esquina dobrada pelo ônibus ele avistava uma camisa do Vasco, e consequentemente se lembrava dos gols feitos por Dodô, em cada freada dada pelo motorista vinham a memória os dribles de Carlos Alberto e Felipe Coutinho, a cada parada e descida de pessoas nos pontos ele voltava a ver o semblante de desânimo e impotência dos jogadores de seu time. Sem dúvida o tempo e o dinheiro gastos no final de semana com seu time do coração haviam sido um completo desperdício.

“Como pode?”, o descredito era total. Na sequência a raiva lhe subiu a cabeça, um surto acompanhado de um grito: “Time de m…!”, juntamente com um tapa no balaústre. O ônibus freou bruscamente e tudo ficou em silêncio. Por sorte era exatamente o ponto de Seu Alaor.

Como quem não quer nada o homem desceu tentando fingir que não havia sido ele o autor daquele grito, mesmo sabendo que as pessoas ao seu redor até haviam se assustado. Caminhou duas das seis quadras do trajeto, e como niguém por alí o conhecia, sentiu-se confortável para dar uma olhada nas manchetes dos jornais. Fotos e a festa do time cruzmaltino na goleada, se misturavam a outras fotos de Adriano e Vagner Love em mais uma vitória do Flamengo. “E ainda mais essa, Império do Amor…”.

As remotas lembranças de seu falecido pai falando da mágica de Garrincha, na tenra infância, os gols de Jairzinho nos anos 70 e, até mesmo, os de Túlio Maravilha na década de 90, lhe encheram o coração de saudade e tristeza. Seu Alaor, homem por volta dos 50 anos, mais uma vez ficou p… da vida, agora ao escutar o comentario de um garoto flamenguista sobre o seu fogão. A derrota para o Vasco doía, e muito, no entanto de quem o botafoguense queria arrancar o pescoço era do flamenguista – alias, dos flamenguistas. “Três vices campeonatos é demais pra mim…”.

Naquele dia o homem foi mais algumas vezes sacaneado por seus amigos e colegas, alguns com bom humor e outros apenas na base da humilhação. Faz parte do futebol, e Alaor sabia.

Assim seguiu mais uma semana, e outra, e outra. Já nem se falava mais tanto da goleada por 6x0, e sim, os jornais e a televisão, faziam todo o “oba-oba”, um verdadeiro carnaval, em cima do “Império do Amor”, de campanha impecável no primeiro turno carioca. Quis o destino, e a chegada de Joel Santana ao Botafogo, que o time de Seu Alaor enfrentasse Adriano e Love – sem contar Pet, o goleio Bruno, e todo o bom elenco campeão nacional - na semifinal do primeiro turno carioca, no último dia do feriadão do carnaval.

Entretanto o ânimo era outro, tanto do time como do torcedor alvi-negro, mas mesmo no dia do jogão Alaor se deparou com mais algumas piadinhas e comentarios de mau gosto. Contudo, os badalados, e baladeiros carnavalescos, Adriano e Vagner Love, bem que tentaram, mas parece que na quarta-feira de cinzas a farra dos dias anteriores fez a bola não entrar no gol botafoguense de Seu Alaor. Inesperados 2x1 para o fogão, na raça com dois golzinhos chorados.

Já na quinta-feira, ou melhor, a meia-noite e quinze do dia 18 de fevereiro enquanto a torcida lavava a alma e cantava dentro do Maracanã, sorrindo, rindo e abraçando seus amigos e irmãos alvi-negros – e também lembrando de todos aqueles que o sacanearam -, Seu Alaor proferiu as seguintes palavras: “Todo carnaval tem seu fim!”.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Brasil, nosso

Brasil do samba, do sangue, calor
Brasil da negra, do loiro, da gente
País bonito, rico, vibrante

Terra do drible, harmonia, alegria
Quem sabe o que é, nao o deixa,
quem sabe o que quer, não se queixa

Do Nordeste trabalhador,
à São Paulo, seguimos em frente
Não se engane, Brasil, se encante.

Renan Lamarck

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Pela janela

A noite de quase verão já era quente. Talvez uma das mais quentes daquele ano.
No velho relógio pedurado na parede, ao lado do quadro sem autor, era apontada às três da madrugada. Um olhar pela janela de sua casa, nada. Apenas a sensação de uma fina chuva e intensa que começava a cair do céu.
O vento soprava, e sobrava. Calmo, mas ainda quente, abafado. Novamente um olhar pela janela aberta. Agora observando de fato, ao longe viu passar um carro.
Barulho da chuva no asfalto molhado, cheiro de chuva, nada de diferente até onde a vista alcançasse.
Finalmente ele vê alguma coisa relevante, mas longe.
Passos firmes, diretos, sem pensar nem parar. A atitude chama atenção.
Mais para fora do que pra dentro de sua janela, e então de sua vida, ele tenta ver mais de perto, mas se descuida. Um escorregão. Tenta se apoiar na lateral da janela já molhada,a mão também escorrega. Olhar fixo para baixo, em uma fração de segundo ele viu o abismo entre ele e o chão. A cutrta distância entre a morte e a vida. Três andares.
Tudo perdido, sem motivo e nem razão.
Inevitável, no entanto a velha cortina o segura, ou melhor, ele se agarra rasgando o objeto num último ato de defesa. Se salva.
Reconstituido e posicionado em pé, já traqnuilo, escuta duas batidas na porta.
De repente fica tenso, não esperava ninguem, ele abre a porta.
Sem saber de fato o que o esperava, ele sabia que só poderia ser a instigante figura observada antes. Duas palavras de um, três da parte do outro. Começa a briga, que se estende por algum tempo, até, de forma dramática as duas personagens se posicionarem próximas aquela janela. Sem explicação e sem impotância eles estavam lutando pela vida.
Rápida e definitivamente tudo acabou quando um dos dois homens voou da altura dos três andares e se chocou contra o solo.
De perto o asfalto já nao parecia tão duro. De forma mórbida o calor já havia passado, molhado e refrescado ainda pela fina chuva que havia caído.
Lá de cima o que sobrou observou pela ultima vez e saiu.
Dizem que foi suicídio, mas o que se soube tempos depois é que se tratou apenas de mais um homicídio na cidade.

domingo, 8 de novembro de 2009

Que a taça seja entregue ao justo tetra-hepta


Fluminense 0x0 Palmeiras no Maracanã, reta final do Campeonato Brasileiro, sol de quase 40 graus, rodada decisiva na briga por titulo, vagas na Copa Libertadores e na fuga do rebaixamento, quando, bola alçada na área e o anjo negro Obina sobe de cabeça, mesmo puxado pelo adversário, ele abre o placar para o alviverde. Gol! Legitimo, importantíssimo – não apenas para o Palestra, mas também para vários times, como, Fluminense, Botafogo, Santo André, Náutico, Sport, Internacional, Cruzeiro, Atlético, Flamengo, e o São Paulo-, mas incompreensivelmente anulado pelo senhor arbitro gaucho Carlos Eugenio Simon, arbitro FIFA, que não deveria tremer na hora da decisão. Daí em diante o Palmeiras não jogaria bem, também pelo gol mal anulado, e pouco ameaçaria o gol defendido pelo arqueiro do tricolor carioca.

Falar em erros de arbitragem pode parecer um belo de um “chororô” de quem não sabe perder, mas não é, o Palmeiras, e o palmeirense, já não agüenta mais isso. Basta lembra algumas passagens recentes, como a disputa de pênaltis entre Palmeiras e Ipatinga pela Copa do Brasil, vez em que o trio de arbitragem da partida mandou repetir a cobrança de um pênalti defendido por Diego Cavallieri, que de maneira legal apenas havia se mexido depois que o jogador adversário chutou a bola. Ou ainda, como o pênalti, inexistente, cometido por Correa em Junior na Libertadores de 2006, ou o gol marcado pelo fraquíssimo atacante Max e mal anulado dentro do Palestra Itália no ano de 2007, ambos lances, coincidentemente, contra o tricolor do Morumbi.

Contudo, não se discute que um gol de verdade e sem nenhuma irregularidade – visível ou invisível -, como este, ao ser mal anulado venha, como aconteceu, a prejudicar uma equipe dentro de campo. Soma-se a isso o fraquíssimo zagueiro Marcão, e a burrice, ou melhor, a afobação de um time que sonha tanto, ou sonhava, em ser campeão nacional, e que por esse mesmo motivo alterna momentos patéticos, como as derrotas para o Náutico e para o Santo André, com outras vezes de garra e brilhantismo, vide o empate contra o Corinthians e a goleada para cima do Goiás.

Vagner Love não tem sido nem sombra do matador que já foi um dia, Diego Souza sente a falta de Cleiton Xavier no meio de campo, Muricy Ramalho parece sempre escalar mal o time, e em meio a tudo isso até o comum zagueiro Mauricio Ramos, lesionado, faz falta a equipe do Palmeiras.

Mesmo assim o Palestra, por vezes vestido com o manto azul da squadra azzurra, luta, pode vir a engrenar ainda nos jogos que restam, e deve sim brigar pelo titulo até a ultima rodada. No entanto, é improvável que o pontinho anulado, e conseqüentemente, não conquistado no Maraca, não faça falta na tabela final de classificação. O alviverde tem todo o direito de protestar, assim como seu torcedor tem o dever de cobrar um time que já era para, apesar de tudo, estar com a mão na taça.

Dessa maneira, o São Paulo, que não deve ter nada a ver com os problemas de arbitragem que o alviverde enfrenta, segue burocrático, ganhando de 1x0 em casa contra o Barueri. Sem jogar nada de mais – mas fazendo sua parte dentro de campo, e melhor ainda fora dele -, o tricolor se prepara para levantar mais um caneco. Erros ocorrem todos os dias, é o artilheiro que chuta o pênalti para fora, é o goleirão que aceita um frango no meio das pernas, mas em certas ocasiões erros são inadmissíveis. Carlos Eugenio Simon, que, teoricamente, se prepara para representar o Brasil em mais uma Copa do Mundo ajudou a decidir o campeão nacional de 2009.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Uma Festa Portuguesa

Desde o principio a idéia parecia boa! Mesmo se tratando de um confronto de Serie B, para um amante do futebol, acompanhar uma partida entre o, então, líder do campeonato, o Campeão Brasileiro de 78, Guarani - finalmente em ascensão depois de vários anos sendo rebaixado e brigando apenas pelas ultimas posições de quase todos os torneios que disputou -, contra a Lusa, time de colônia, sim, mas que também briga e sonha em voltar a ser o que já foi um dia, tempo no qual chegou a decidir Campeonato Paulista, e títulos nacionais.

Longe de me dizer entendido, ou “expert”, no assunto, mas quando olhei na tabela do campeonato no dia anterior e vi que no Canindé se enfrentariam Portuguesa e Guarani logo me lembrei de um amigo, torcedor do Juventus da Mooca que gosta de um futebol, digamos, mais alternativo do que o de Serie A (Palmeiras, Corinthians, São Paulo...), e pensei: Lusa x Bugre, mesmo sem holofotes, sem muito alarde da imprensa, tem tudo para ser um jogão de futebol.

Depois de esperar uma eternidade no metro Tiete, até que enfim chegassem meus companheiros na noite lusitana, protestei com um deles, pois a partida já estava em andamento e lá já iam pelo menos vinte minutos de partida. Quando finalmente chegamos ao Canindé, mas ainda do lado de fora do estádio da Portuguesa alguém avisa que a partida estava 1x1. A entrada mais próxima de onde estávamos era a do Bugre, tentei convencer meus amigos a entrarem nessa torcida – eu tinha quase certeza de que seria um grande jogo, como já mostrava o placar de 1x1 com alguns minutos da primeira etapa, no entanto eu acreditava numa vitoria do Guarani, e naquele momento queria acompanhar mais de perto a possível festa do ate então líder da segundona -, nada feito demos uma volta no estádio até finalmente encontrar a bilheteria da Portuguesa. Ainda do lado de fora escutamos a explosão do grito de gol. Foi da Lusa? Que nada, o Guarani virava a partida para 2x1.

Compramos o ingresso e corremos para a arquibancada, vale ressaltar que para a torcida da Lusa tudo ali era meio longe, tivemos que dar uma longa volta para chegar ao portão de entrada, andar até a bilheteria, e depois retornar para próximo da entrada onde havia uma escada que dava na arquibancada lusitana. Era mais fácil ter entrado na torcida do Guarani.

Agora sim na arquibancada, nós que estávamos num grupo de oito pessoas nos separamos, eu e meu amigo, que fomos os primeiros a chegar ao ponto de encontro no metro, ficamos atrás do gol defendido pelo goleiro Fabio da Portuguesa. Um pequeno parêntese, se há um lugar bom para ver jogo de futebol, esse local é o estádio do Canindé, verdade que muita coisa é ruim e desorganizada, fato é que estamos no Brasil, mas em matéria de visão que se tem do campo, o Canindé, mesmo por ser acanhado, da um pau no Morumbi e no Palestra.

Atrás da meta lusitana, correndo o risco de levar quem sabe até uma bola em algum chute forte por cima do gol, tive o prazer de acompanhar um frangasso do goleiro de pernas compridas, Fabio. Um chute cruzado do lateral bugrino Maranhão que passou no meio das pernas do arqueiro. Ainda no final da primeira etapa, enquanto a torcida verde e branca, que praticamente lotava a área reservada aos visitantes, cantava e fazia festa, o Guarani ainda teve algumas chances de aumentar a vantagem, parecia que ia se desenhando uma humilhante goleada para a segunda etapa. Enquanto do outro lado, o torcedores lusitanos xingavam e reclamavam de alguns jogadores, dentre eles o experiente Cesar Prates que não apoiava e nem marcava.

Tudo indicava que a Lusa, caso não mudasse a postura dentro de campo, tomaria uma histórica goleada dentro de sua própria casa. No entanto um homem, que inclusive perderia um gol feito, foi o grande responsável pela virada Portuguesa: o centro-avante Christian, chamado pela torcida da Lusa de Jesus Christian.

A alteração de Paulo Bonamigo, técnico da Lusa, deu certo e Christian entrou em campo chamando o jogo, sem medo dos marcadores adversários, e principalmente com sua postura, tirando a bola do campo de defesa da Lusa e tornando sua equipe mais ofensiva. Vendo que o time reagia dentro das quatro linhas a torcida da Portuguesa passou a apoiar, cantando sem parar e demonstrando seu amor pela tradição do rubro-verde. Na base da pressão a Lusa marcou dois gols de cabeça, em jogadas parecidas de bola alçada na área, e igualou a partida em 3x3.

Entretanto ainda restavam alguns minutos de bola para rolar, a torcida portuguesa cantava, “vou torcer pra Lusa bebendo vinho, a serie A é o meu caminho!”, e o caminho da virada era a pressão. Cabeçada de um lado, bola rolada pra trás e bomba de Marco Antonio, que ainda desviou em Andrézinho, matando o arqueiro do guarani.

Virada heróica, e histórica, os fanáticos torcedores se abraçavam e vibravam com a conquista, o velho placar do estádio, ao final do confronto, marcava Portuguesa 4x3 Guarani. Como á tempos não se via, a torcida rubro-verde viveu uma noite de mágica, uma noite com futebol de vencedor. Mesmo tendo perdido o inicio de jogo, e os três gols iniciais, por sorte o futebol nos reservou o melhor para o final. Festa lusitana com direito a tomar caldo verde de colherzinha no final!

terça-feira, 7 de julho de 2009

O Corinthians e a Copa Libertadores


Após a grande conquista de sua terceira Copa do Brasil - campeão em 1995, 2002, e, agora, em 2009 -, o Corinthians já convive, mesmo ainda faltando seis meses para o inicio da competição, com sua nova missão: o sonhado titulo da Libertadores.

Pensando no ano de seu centenário, 2010, e a muito tempo almejando a conquista do principal torneio futebolístico da America do Sul, o timão se preparou muito bem para a temporada de 2009, vem colhendo os frutos (campeão Paulista e da Copa do Brasil), e já garantiu vaga na próxima Libertadores. A diretoria alvinegra acertou muito em manter a base do time, que havia conquistado a Serie B no ano passado, e acertou mais ainda quando resolveu fechar o contrato com o fenômeno Ronaldo. No entanto, para bancar o craque da camisa 9, o Corinthians vendeu toda sua camisa para anunciantes, poluindo a imagem do manto alvinegro, o que a principio não agradou em nada a maior parte de sua torcida.

Contudo, é impossível se pensar em “Corinthians disputando a Libertadores” e não vir a mente uma única palavrinha: fracasso! É triste para a fiel torcida, mas a realidade é essa, o time de Parque São Jorge não é de conseguir muitos feitos fora do cenário nacional. Vale lembrar que nas vezes em que participou do torneio sul-americano o timão colecionou duras derrotas.

Talvez a mais dura delas tenha sido no ano de 2000, e justamente para quem, para seu arqui-rival, o Palmeiras. Repetindo o feito do ano anterior - quando o Palmeiras derrubou o timão nas quartas de final e posteriormente se sagrou campeão da America -, no ano 2000, Corinthians e Palmeiras protagonizaram uma grande semifinal, verdadeiras aulas do bom futebol brasileiro que vão estar para sempre na historia dos dois clubes. Depois de vencer a primeira partida, o Corinthians podia até empatar para levar a vaga na decisão, chegou a estar vencendo o embate, contudo no final da partida viu o alviverde virar o jogo com um gol heróico do volante Galeano. Naquela noite a decisão foi para os pênaltis, todos do Palmeiras converteram as penalidades, os do timão também, e o destino colocou frente a frente um dos maiores ídolos da historia corintiana, Marcelinho Carioca, contra o já idolatrado no Palestra Itália, o goleiro Marcos. Na ultima penalidade Marcelinho tentou acertar o canto direito do palmeirense, Marcos voou e espalmou a bola. O Corinthians era mais uma vez eliminado.

Muito mais pressionado pela torcida e pela mídia, depois de seu principal rival ter conquistado a America em 1999, e de seus outros dois grandes adversários, o São Paulo e o Santos, também terem sidos campeões continentais anteriormente, o Corinthians sofreu outros dois duros golpes dentro da Libertadores.

Primeiro, em 2003 o bom e rápido time alvinegro campeão da Copa do Brasil parou no River Plate, da Argentina. Comandado pelo, hoje colorado, Andrés D`Alessandro o River arrasou o timão, que se gabava de ter o “melhor lado esquerdo do mundo” (com Kleber e Gil, mas já sem o meia Ricardinho). Anos mais tarde, o poderoso Corinthians, contando com a ex-estrela do Boca Juniors, Carlitos Tevez, e também com outros grandes nomes do momento no futebol, como Mascherano (ex-River), Carlos Alberto e Roger (ambos ex-Fluminense), foi mais uma vez derrotado pelos argentinos do River Plate. Dessa vez, não satisfeita com o papelão que o time fazia dentro de campo ao ser derrotado por 3x1, quem roubou a cena foi a torcida que resolveu quebrar tudo no Pacaembu, tentaram entrar no gramado para pegar os jogadores, mas felizmente foram contidos pela valente policia. Mais uma vez o timão deixava a Libertadores de forma muito amarga.

Por fim, fica difícil acredita que exatamente no ano do seu centenário, momento de muita pressão dentro de qualquer clube, o alvinegro paulistano conseguira finalmente erguer a taça de campeão da Libertadores. Se não foi campeão continental com o time que era bicampeão brasileiro (contando com craques como Marcelinho, Dida e Vampeta), e posteriormente em 2006 quando contava com os argentinos Tevez e Mascherano, realmente parece uma missão muito difícil para Ronaldo e companhia.

Assim, o timão já respira a Libertadores de 2010, com toda a pressão que se possa imaginar. Nos diários esportivos e na televisão não se fala de outra coisa quando o assunto é Corinthians, torcedores nas ruas só falam em conquistar a América, e, inclusive, os jogadores também só pensam na Copa Libertadores. Nos resta aguardar, esperar os demais times classificados, esperar pelo sorteio dos grupos, e ver se enfim o timão mostrar ser uma equipe de proporções mundiais.

domingo, 5 de julho de 2009

A camisa 5

Direto ao ponto, a primeira função desse blog, camisa 5, é a de ser um local onde eu possa comentar sobre qualquer tema que para mim tenha alguma importância – sendo relevante, ou não, para os outros. Isso independente de se tratar de musica, futebol, política, livros, cinema, arte, ou qualquer outra coisa que seja.

Pensando, então, nesse blog tão amplo, visto que não tem um tema único definido, difícil foi pensar em qual seria minha primeira postagem. Envolto em um tempo onde Muricy Ramalho e Luxemburgo estão desempregados; fazendo praticamente uma semana que o Rei do Pop, Michael Jackson, morreu; e ainda, pouco depois de os “manda-chuvas” da F1 anunciarem que a mais honrosa categoria do automobilismo mundial não ira se rachar em duas; mesmo assim, em meio a esses acontecimentos, e tantos outros, achei que o mais interessante seria falar sobre a tal da camisa 5, que da nome ao blog.

Simples: a camisa 5 sou eu! Dentro dela tem um pouco de tudo, inteligência, amizade, raça, um pouco de anarquismo, frieza, discernimento, noção do que é “certo” e do que é “errado”, amor, intuição, loucura, companheirismo, falta de noção, diversão, rock, e muita força de vontade, isso, só para citar algumas, poucas, coisas.

Por fim, dentro dessa camisa 5 tem um ser humano, igual e diferente a todos os outros, com vontades e desejos, angústias e sofrimentos, como todos os outros. Bom, acho que já falei muito, e que ao mesmo tempo acabei não dizendo quase nada, mas toda essa introdução foi apenas para terminar afirmando que a função desse blog não é a de julgar nada, nem ninguém, sem certo e nem errado, sem contra e nem a favor. Esse blog, e muito mais quem escreve nele, só quer entender as coisas, não mudar, por que isso talvez seja muita pretensão, mas analisar e entender a sociedade, as pessoas, as coisas, o mundo.