domingo, 11 de abril de 2010

O futebol é mesmo injusto


Embora para a maioria das pessoas o Santos fosse franco favorito diante do São Paulo, no jogo da semifinal deste sábado pelo Campeonato Paulista, eu - pessoalmente - acredito que os clássicos, exatamente por se tratarem de clássicos - e mexerem com um vasto histórico de rivalidade, camisas de peso e grandes jogadores -, não tenham favoritos. Parafraseando o brilhante filósofo da bola Jardel: “clássico é clássico, e vice-versa”.

Bastou rolar a bola no Morumbi e o que se viu foi um total equilíbrio nos minutos iniciais de jogo, com um leve domínio tricolor. Contudo, para acabar com a igualdade no confronto, o são-paulino Junior Cesar, ao tentar afastar uma bola dentro da área, foi infeliz e mandou a redonda contra o próprio patrimônio, abrindo o placar para o Santos. Aí, finalmente um dos tão badalados meninos da vila começou a jogar a bola, exatamente de quem se espera mais, o habilidoso Robinho.

O menino da geração 2002 abriu seu repertório de dribles e fez um grande clássico (mandando inclusive bola no travessão), muito superior aos meninos da nova geração PH Ganso e Neymar. Ainda no primeiro tempo, com o São Paulo morto, André aproveitou jogada de Neymar - que contou com muita sorte no lance - e dentro da pequena área fez 2x0 para o peixe.

Assim como no clássico contra o Palmeiras, na Vila Belmiro, o pensamento geral foi: “o Santos vai golear outra vez”. No entanto, também, exatamente como contra o Palmeiras o Santos foi surpreendido.

Para o segundo tempo no Morumbi, Ricardo Gomes promoveu uma alteração - saiu Washington e entrou Cicinho - para tentar suprir a falta de um jogador, causada pela infantil e estúpida expulsão de Marlos poucos minutos antes do segundo gol do peixe. Mesmo com 2x0 contra no placar e dez homens em campo foi o São Paulo que partiu para cima do rival. Logo no começo Hernanes, como sempre, chamou o jogo para si e marcou um gol de extrema precisão, feito que deu novo ânimo ao tricolor.

Dagoberto, bom nome do São Paulo que alterna partidas muito boas com jogos onde apenas tenta cavar faltas e reclamar com o juiz, também resolveu entrar no confronto, em alguns minutos o tricolor já empolgava. Com um a menos o São Paulo fez o Santos recuar, até o próprio Dagoberto, jogando com muita raça - principalmente depois de receber uma cotovelada na boca, de Paulo Henrique Ganso -, empatar de cabeça.

O empate era justo e merecido, o São Paulo fazia, e fez, seu melhor jogo no ano. No entanto o futebol não é justo. O Santos não dava show, Neymar só havia feito uma boa jogada em toda a partida e Ganso quase nada. Em um cruzamento, no finalzinho da partida, que poderia ter sido cortado por Rogério Ceni o São Paulo vacilou e o santista Durval cabeceou, de rosto, para as redes tricolores. Santos 3x2 São Paulo, “clássico é clássico, e vice-versa”

terça-feira, 6 de abril de 2010

Lionel Messi


Há tempos que eu não parava para assistir uma partida do Barcelona - na verdade nem lembro quando foi a última, acho que foi na final do Mundial de Clubes contra o Estudiantes- ARG -, mesmo sabendo que se trata de uma equipe que quase sempre vence seus jogos (muitas vezes por goleada), por algum motivo não me empolgava em parar para ver os jogos de Messi e companhia. Na verdade a culpa não é do Barça, mas sim dos seus fraquissimos adversários, não consigo parar pra ver Barcelona x Albacete; Barcelona x Málaga; Barcelona x Reacreativo Huelva; pois, talvez por um preconceito besta em relação a algumas praças do futebol europeu, sinto o futebol espanhol como um campeonato de dois times, mais ou menos como um Gauchão. Sempre ganha o Barcelona ou o Real Madrid, vez por outra um Atlético de Madrid, ou ainda um Valencia, levanta a taça (que, guardadas as devidas proporções, são espécies de Juventude e Caxias para a relação da dupla Gre-Nal no Campeonato Gaucho).

No entanto, hoje lembrei que teria o jogo de quartas-de-final da Champions League, Barcelona x Arsenal, e pensei: “Tenho que ver o Messi jogar”. Sem sombra de duvida o baixinho, que - de maneira nada fácil para ele, Messi - é constantemente comparado a Diego Maradona, esta jogando indiscutivelmente o melhor e mais bonito futebol do planeta.

Contra o Arsenal era de se esperar um jogo mais difícil, pois se trata de um time inglês, não de um Albacete, ou um Almeria da vida. Se trata de um dos três times que briga pelo titulo nacional mais disputado, e de maiores investimentos, do mundo, o Campeonato Inglês. Bendtner até surpreendeu ao marcar o gol do Arsenal rapidamente, mas o time inglês não era páreo para o Barça, e mais que isso, não era obstáculo nenhum para o futebol de Lionel Messi.

Em apenas um tempo, numa atuação clássica de Maradona - Puskas, Pelé ou Cruyff -, Messi acabou com um dos melhores times do mundo. Goleou sozinho, e ponto! Três gols no primeiro tempo, um no segundo - sendo pelo menos dois desses verdadeiros golaços.

Messi não é normal, nem nunca foi - obvio! Messi não é Maradona, e nem Pelé, e talvez nem jogue toda essa bola na Copa do Mundo, mas já figura entre os maiores futebolistas de todos os tempos. Atualmente é o melhor jogador de futebol do planeta, “Gracias Messi!”.

terça-feira, 30 de março de 2010

Aquele menino

Sempre foi um menino.

Quando eu o conheci, no auge dos seus oitenta anos, ele já era um menino.
Um menino que corria, saía, não se deixava prender,
nunca.

Era um menino que - sem se dar conta - corria como tal, cantarolava, vibrava.
Sempre viveu como um menino.

Mas certo dia o menino começou a ficar ainda mais menino, e mais, e mais...
e mais.

A força e a beleza dos lindos olhos azuis, os terninhos de menino, o boné,
os anos 20, os anos 30 - os 40, e os 50 -, vão voltar para o menino.

Que agora, mais uma vez, será um homem,
e para sempre um menino.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Carnaval carioca

Segunda-feira de manhã mais um dia normal de trabalho no quente Rio de Janeiro, Seu Alaor Teixeira desperta as 6 e 20 da manhã, e ainda profundamente abalado com o péssimo resultado de seu time no clássico diante do Vasco, históricos 6x0 sofridos dentro do Engenhão, ruma a passos largos para o ponto de ônibus.

O baixinho, gordinho e careca, cidadão carioca, tenta passar despercebido pela banca de jornais do Carlinhos, vascaino doente que nas primeiras horas do dia, enquanto arruma sua banca com os jornais recém chegados da gráfica, já ostenta sua surrada camisa de Roberto Dinâmite – vide que a banca de jornais está a menos de 30 passos da religiosa parada do ônibus de Alaor. “Ô Alaor, ô Alaor!”, dois gritos e nada do botafoguense olhar. Mais dois gritos e aí sim uma rapida olhada de canto de olho. “Hahaha! 6x0 foi f… mermão!”, disse o jornaleiro em bom “carioquês”.

Durante todo o percurso do lotado coletivo rumo ao centro da cidade Seu Alaor lembrava e, ao mesmo tempo, tentava esquecer sua trágica jornada esportiva do domingo. A cada esquina dobrada pelo ônibus ele avistava uma camisa do Vasco, e consequentemente se lembrava dos gols feitos por Dodô, em cada freada dada pelo motorista vinham a memória os dribles de Carlos Alberto e Felipe Coutinho, a cada parada e descida de pessoas nos pontos ele voltava a ver o semblante de desânimo e impotência dos jogadores de seu time. Sem dúvida o tempo e o dinheiro gastos no final de semana com seu time do coração haviam sido um completo desperdício.

“Como pode?”, o descredito era total. Na sequência a raiva lhe subiu a cabeça, um surto acompanhado de um grito: “Time de m…!”, juntamente com um tapa no balaústre. O ônibus freou bruscamente e tudo ficou em silêncio. Por sorte era exatamente o ponto de Seu Alaor.

Como quem não quer nada o homem desceu tentando fingir que não havia sido ele o autor daquele grito, mesmo sabendo que as pessoas ao seu redor até haviam se assustado. Caminhou duas das seis quadras do trajeto, e como niguém por alí o conhecia, sentiu-se confortável para dar uma olhada nas manchetes dos jornais. Fotos e a festa do time cruzmaltino na goleada, se misturavam a outras fotos de Adriano e Vagner Love em mais uma vitória do Flamengo. “E ainda mais essa, Império do Amor…”.

As remotas lembranças de seu falecido pai falando da mágica de Garrincha, na tenra infância, os gols de Jairzinho nos anos 70 e, até mesmo, os de Túlio Maravilha na década de 90, lhe encheram o coração de saudade e tristeza. Seu Alaor, homem por volta dos 50 anos, mais uma vez ficou p… da vida, agora ao escutar o comentario de um garoto flamenguista sobre o seu fogão. A derrota para o Vasco doía, e muito, no entanto de quem o botafoguense queria arrancar o pescoço era do flamenguista – alias, dos flamenguistas. “Três vices campeonatos é demais pra mim…”.

Naquele dia o homem foi mais algumas vezes sacaneado por seus amigos e colegas, alguns com bom humor e outros apenas na base da humilhação. Faz parte do futebol, e Alaor sabia.

Assim seguiu mais uma semana, e outra, e outra. Já nem se falava mais tanto da goleada por 6x0, e sim, os jornais e a televisão, faziam todo o “oba-oba”, um verdadeiro carnaval, em cima do “Império do Amor”, de campanha impecável no primeiro turno carioca. Quis o destino, e a chegada de Joel Santana ao Botafogo, que o time de Seu Alaor enfrentasse Adriano e Love – sem contar Pet, o goleio Bruno, e todo o bom elenco campeão nacional - na semifinal do primeiro turno carioca, no último dia do feriadão do carnaval.

Entretanto o ânimo era outro, tanto do time como do torcedor alvi-negro, mas mesmo no dia do jogão Alaor se deparou com mais algumas piadinhas e comentarios de mau gosto. Contudo, os badalados, e baladeiros carnavalescos, Adriano e Vagner Love, bem que tentaram, mas parece que na quarta-feira de cinzas a farra dos dias anteriores fez a bola não entrar no gol botafoguense de Seu Alaor. Inesperados 2x1 para o fogão, na raça com dois golzinhos chorados.

Já na quinta-feira, ou melhor, a meia-noite e quinze do dia 18 de fevereiro enquanto a torcida lavava a alma e cantava dentro do Maracanã, sorrindo, rindo e abraçando seus amigos e irmãos alvi-negros – e também lembrando de todos aqueles que o sacanearam -, Seu Alaor proferiu as seguintes palavras: “Todo carnaval tem seu fim!”.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Brasil, nosso

Brasil do samba, do sangue, calor
Brasil da negra, do loiro, da gente
País bonito, rico, vibrante

Terra do drible, harmonia, alegria
Quem sabe o que é, nao o deixa,
quem sabe o que quer, não se queixa

Do Nordeste trabalhador,
à São Paulo, seguimos em frente
Não se engane, Brasil, se encante.

Renan Lamarck

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Pela janela

A noite de quase verão já era quente. Talvez uma das mais quentes daquele ano.
No velho relógio pedurado na parede, ao lado do quadro sem autor, era apontada às três da madrugada. Um olhar pela janela de sua casa, nada. Apenas a sensação de uma fina chuva e intensa que começava a cair do céu.
O vento soprava, e sobrava. Calmo, mas ainda quente, abafado. Novamente um olhar pela janela aberta. Agora observando de fato, ao longe viu passar um carro.
Barulho da chuva no asfalto molhado, cheiro de chuva, nada de diferente até onde a vista alcançasse.
Finalmente ele vê alguma coisa relevante, mas longe.
Passos firmes, diretos, sem pensar nem parar. A atitude chama atenção.
Mais para fora do que pra dentro de sua janela, e então de sua vida, ele tenta ver mais de perto, mas se descuida. Um escorregão. Tenta se apoiar na lateral da janela já molhada,a mão também escorrega. Olhar fixo para baixo, em uma fração de segundo ele viu o abismo entre ele e o chão. A cutrta distância entre a morte e a vida. Três andares.
Tudo perdido, sem motivo e nem razão.
Inevitável, no entanto a velha cortina o segura, ou melhor, ele se agarra rasgando o objeto num último ato de defesa. Se salva.
Reconstituido e posicionado em pé, já traqnuilo, escuta duas batidas na porta.
De repente fica tenso, não esperava ninguem, ele abre a porta.
Sem saber de fato o que o esperava, ele sabia que só poderia ser a instigante figura observada antes. Duas palavras de um, três da parte do outro. Começa a briga, que se estende por algum tempo, até, de forma dramática as duas personagens se posicionarem próximas aquela janela. Sem explicação e sem impotância eles estavam lutando pela vida.
Rápida e definitivamente tudo acabou quando um dos dois homens voou da altura dos três andares e se chocou contra o solo.
De perto o asfalto já nao parecia tão duro. De forma mórbida o calor já havia passado, molhado e refrescado ainda pela fina chuva que havia caído.
Lá de cima o que sobrou observou pela ultima vez e saiu.
Dizem que foi suicídio, mas o que se soube tempos depois é que se tratou apenas de mais um homicídio na cidade.

domingo, 8 de novembro de 2009

Que a taça seja entregue ao justo tetra-hepta


Fluminense 0x0 Palmeiras no Maracanã, reta final do Campeonato Brasileiro, sol de quase 40 graus, rodada decisiva na briga por titulo, vagas na Copa Libertadores e na fuga do rebaixamento, quando, bola alçada na área e o anjo negro Obina sobe de cabeça, mesmo puxado pelo adversário, ele abre o placar para o alviverde. Gol! Legitimo, importantíssimo – não apenas para o Palestra, mas também para vários times, como, Fluminense, Botafogo, Santo André, Náutico, Sport, Internacional, Cruzeiro, Atlético, Flamengo, e o São Paulo-, mas incompreensivelmente anulado pelo senhor arbitro gaucho Carlos Eugenio Simon, arbitro FIFA, que não deveria tremer na hora da decisão. Daí em diante o Palmeiras não jogaria bem, também pelo gol mal anulado, e pouco ameaçaria o gol defendido pelo arqueiro do tricolor carioca.

Falar em erros de arbitragem pode parecer um belo de um “chororô” de quem não sabe perder, mas não é, o Palmeiras, e o palmeirense, já não agüenta mais isso. Basta lembra algumas passagens recentes, como a disputa de pênaltis entre Palmeiras e Ipatinga pela Copa do Brasil, vez em que o trio de arbitragem da partida mandou repetir a cobrança de um pênalti defendido por Diego Cavallieri, que de maneira legal apenas havia se mexido depois que o jogador adversário chutou a bola. Ou ainda, como o pênalti, inexistente, cometido por Correa em Junior na Libertadores de 2006, ou o gol marcado pelo fraquíssimo atacante Max e mal anulado dentro do Palestra Itália no ano de 2007, ambos lances, coincidentemente, contra o tricolor do Morumbi.

Contudo, não se discute que um gol de verdade e sem nenhuma irregularidade – visível ou invisível -, como este, ao ser mal anulado venha, como aconteceu, a prejudicar uma equipe dentro de campo. Soma-se a isso o fraquíssimo zagueiro Marcão, e a burrice, ou melhor, a afobação de um time que sonha tanto, ou sonhava, em ser campeão nacional, e que por esse mesmo motivo alterna momentos patéticos, como as derrotas para o Náutico e para o Santo André, com outras vezes de garra e brilhantismo, vide o empate contra o Corinthians e a goleada para cima do Goiás.

Vagner Love não tem sido nem sombra do matador que já foi um dia, Diego Souza sente a falta de Cleiton Xavier no meio de campo, Muricy Ramalho parece sempre escalar mal o time, e em meio a tudo isso até o comum zagueiro Mauricio Ramos, lesionado, faz falta a equipe do Palmeiras.

Mesmo assim o Palestra, por vezes vestido com o manto azul da squadra azzurra, luta, pode vir a engrenar ainda nos jogos que restam, e deve sim brigar pelo titulo até a ultima rodada. No entanto, é improvável que o pontinho anulado, e conseqüentemente, não conquistado no Maraca, não faça falta na tabela final de classificação. O alviverde tem todo o direito de protestar, assim como seu torcedor tem o dever de cobrar um time que já era para, apesar de tudo, estar com a mão na taça.

Dessa maneira, o São Paulo, que não deve ter nada a ver com os problemas de arbitragem que o alviverde enfrenta, segue burocrático, ganhando de 1x0 em casa contra o Barueri. Sem jogar nada de mais – mas fazendo sua parte dentro de campo, e melhor ainda fora dele -, o tricolor se prepara para levantar mais um caneco. Erros ocorrem todos os dias, é o artilheiro que chuta o pênalti para fora, é o goleirão que aceita um frango no meio das pernas, mas em certas ocasiões erros são inadmissíveis. Carlos Eugenio Simon, que, teoricamente, se prepara para representar o Brasil em mais uma Copa do Mundo ajudou a decidir o campeão nacional de 2009.